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quinta-feira, 24 de novembro de 2011

ESPERANÇA ALÉM TÚMULO - FIM DO ARTIGO

Quarta Parte

Conceitos modernos – No mundo evangélico predominam teorias equivocadas sobre o estado do homem na morte.

Por exemplo: O relato bíblico da parábola do rico e Lázaro, em Lucas capítulo 16 versos 19 a 31, tem sido interpretado como prova de que há vida depois da morte.
Nessa parábola, porém, Cristo enfatizava como ponto central o fato de que a salvação é estendida ao homem apenas enquanto ele vive e pode exercer seu livre arbítrio.

Em Lucas, capitulo 23, verso 43, Cristo concede ao ladrão a plena certeza de salvação. Algumas traduções da Bíblia, nesse caso, parecem favorecer a ideia de vida após a morte.

Todavia, é fundamental considerar o fato de que as cópias originais dos manuscritos do Novo Testamento até o 9º século não tinham um sistema de pontuação, como temos hoje

Dr. Wilson Paroschi afirma: “Omissões, inversões, repetições e outros equívocos são passiveis de ser cometidos em qualquer cópia manuscrita, e, se o documento for de apreciável extensão, como é o caso da maioria dos livros do Novo Testamento, considera-se certo que duas cópias jamais seriam exatamente iguais entre si, e que nenhuma delas seria totalmente idêntica ao original, ainda mais se o trabalho fosse feito por um escriba inexperiente” (Critica Textual do Novo Testamento, página 77).

Além disso, o próprio Jesus não foi para o paraíso naquele mesmo dia (Confira Mateus, capitulo 28, verso 6; e João, capitulo 20, verso 17). Paulo diz que a recompensa dos justos ocorrerá somente no dia final (Confira 2ª Timóteo, capitulo 4, versos 7 e 8).

Na sequencia, (Apocalipse, capitulo 20, verso 10) fala da destruição do Diabo, da besta, e do falso profeta no lago de fogo; e completa: “e serão atormentados de dia e de noite, pelos séculos dos séculos”. 

Com base nesse texto, muitos têm advogado a ideia de que o fogo é inextinguível e, portanto, os pecadores sofrerão tormento eterno, pressupondo, evidentemente, a vida eterna nesse lago de fogo. Essas pessoas não entendem que Sodoma e Gomorra foram destruídas com fogo eterno (Confira Judas verso 7) e se tornaram cinzas (Confira 2ª Pedro, capitulo 2, verso 6), indicando assim que elas foram completamente extintas.

Quinta e Última Parte

O posicionamento e a esperança adventistas – Deus suscitou o movimento adventista nos últimos dias para restaurar as verdades lançadas por terra pelo poder do chifre pequeno (Confira Daniel, capitulo 8, verso 12). A imortalidade condicional da alma é uma delas.

Como cristãos adventistas do sétimo dia, cremos que o estado do homem na morte é de plena e absoluta inconsciência (Confira Eclesiastes, capitulo 9, versos 5, 6 e10).

A morte é comparada ao sono (Confira João, capitulo 11, versos 11 a 14). O homem não mais retorna à sua casa para contatos com familiares (Confira e compare a advertência em Deuteronômio capitulo 18, versos 11 e 12; com Jó, capitulo 7, versos 9 e 10).

A Ressurreição de Cristo é o penhor (garantia) da Ressurreição dos justos de todos os tempos e lugares (Confira 1ª Tessalonicenses, capitulo 4, versos 14 e 16). A recompensa dos justos ocorrerá por ocasião da segunda Vinda Gloriosa de nosso Salvador e Senhor Jesus (Confira 2ª Timóteo, capitulo 4, versos 7 e 8).

Ao longo do tempo, a dor, a doença, a morte, os cortejos fúnebres, as lágrimas, e o luto têm alcançado milhares dos filhos de Deus neste mundo. Familiares vêem seus queridos descerem à sepultura. Para os filhos de Deus açoitados pela dor do luto um novo amanhecer irá despontar.

Estamos nos aproximando do grande dia em que os fiéis serão revestidos da imortalidade e da incorruptibilidade. (Confira 1ª Coríntios, capitulo 15, versos 52 a 54).

“Que manhã gloriosa será a da Ressurreição! Que cena maravilhosa se abrirá quando Cristo vier, para Se fazer admirado (Confira Isaias capitulo 25, versos 8 e 9) em todos os que crêem! 

Todos os que passaram pela humilhação e pelos sofrimentos de Cristo serão participantes de Sua glória. Pela Ressurreição de Cristo, todo santo cristão que adormece em Jesus sairá, triunfante, de seu sombrio cárcere. (Confira João capitulo 5, verso 28 e verso 29 parte a).

Os santos ressurretos proclamarão: ‘Onde está, ó morte o teu aguilhão? Onde está ó inferno, a tua vitória?” (Confira 1ª Coríntios, capitulo 15, verso 55, ARC). [...]

“Jesus Cristo triunfou sobre a morte, e rompeu os grilhões do túmulo, e todos os que dormem no túmulo participarão da vitória; sairão das sepulturas, (Confira Isaías, capitulo 26, verso 19 ARA) como fez O Vencedor” (Confira também; Mensagens Escolhidas, Volume 2, páginas, 271 e 272).

Naquele dia, Fabrício e sua querida mãe se encontrarão. Como disse Paulo: “Consolem uns aos outros com essas palavras” (Confira 1ª Tessalonicenses, capitulo 4, verso 18, NVI)

Imortalidade condicional

Segundo o Tratado de Teologia Adventista do Sétimo Dia, página 382, o posicionamento adventista sobre o assunto da imortalidade condicional foi adotado pelas seguintes razões:
. Esse posicionamento representa o ponto de vista bíblico livre de especulação filosófica e da tradição eclesiástica, principalmente a tradição da purificação da alma no purgatório já deplorada pelos reformadores.
. Foi defendido pela igreja primitiva, ressurgindo durante e depois da Reforma.
. Confirma a familiar descrição bíblica da morte como um estado de inconsciência semelhante ao sono, rejeitando a concepção de existência continua da alma após a morte.
. Apoia o ensino bíblico de que a imortalidade não é inerente à natureza da alma, nem é conferida na morte, mas somente na Ressurreição dos mortos.
. Realça a ênfase do Novo testamento em Cristo como o caminho único para a vida eterna, sem levar em conta nenhum mérito acumulado pela alma depois da morte.

Bibliografia e base Bíblica:

Revista Adventista Novembro de 2011
Bíblia Sagrada
Texto copiado e adaptado por  www.voxdesertum.blogspot.com    
Grifos e itálicos acrescentados.


segunda-feira, 21 de novembro de 2011

ESPERANÇA ALÉM TÚMULO - CONTINUAÇÃO

Segunda Parte - A segunda imagem é a de Sócrates.

Aspectos Históricos – Da perspectiva histórica, os fundamentos da doutrina da imortalidade da alma foram lançados e, mediante a astúcia de Satanás, no Éden.

Em Gênesis 3 versos 4 e 5, lemos: “Disse a serpente à mulher: Certamente não morrerão. Deus sabe que, no dia em que dele comerem, seus olhos se abrirão, e vocês, como Deus, serão conhecedores do bem e do mal.” (NVI). No livro Patriarcas e Profetas à página 54 está escrito: 

“O tentador insinuou que a advertência divina em (Gênesis capitulo 2, verso 17) não devia ser efetivamente cumprida; destinava-se simplesmente a intimidá-los. Como seria possível morrerem eles? Não haviam comido da árvore da vida?”

No antigo Egito, a vida religiosa permeava diversos conceitos éticos, mas a maior parte de sua literatura era voltada principalmente para a vida após morte. Práticas funerárias e monumentos dedicados aos mortos são evidências da crença e preocupação dos egípcios com a vida após morte. (Ver Tratado de Teologia Adventista do Sétimo Dia, página 376.)

Os gregos também desenvolveram sua concepção a respeito da vida e da morte. No 5º século a.C. , quando a filosofia estava florescendo, o tema da imortalidade da alma já era de expressão pública, por meio de Sócrates (470-399 a.C), e de Platão (428-347 a.C), principalmente no Fédon, obra filosófica escrita por Platão, na qual se relatam os últimos ensinamentos de Sócrates, antes de ele tomar cicuta por ter sido condenado à morte pelo Estado. 

Sócrates chegou a dizer que, “por ocasião da morte, a alma é libertada do corpo impuro para viver de maneira independente, desobstruída” (Ver Tratado de Teologia Adventista do Sétimo Dia, página 378).

De fato, como escreveu Maria Lúcia A. Aranha, “a dicotomia corpo-consciência já aparece no pensamento grego no século 5 a.C. , com Platão. Esse filósofo parte do pressuposto de a alma antes de se encarnar teria vivido a contemplação do mundo das ideias” (Filosofando, Introdução à Filosofia, página 311).

sábado, 19 de novembro de 2011

ESPERANÇA ALÉM TÚMULO



Para os filhos de Deus, a dor do luto dará lugar a um feliz reencontro em um novo amanhecer que será eterno.

Introdução

A morte é uma triste experiência pela qual a humanidade passa. É o salário do pecado (Romanos 6:23) e conflita com o desejo humano de permanência. Como afirmou S. Júlio Schwantes: “A transitoriedade das glórias terrestres e a vã esperança de permanência acalentada em todo coração, constituem melancólico contraste. A inevitabilidade da morte lança um véu sombrio sobre os sonhos mais dourados” (O Despontar de uma Nova Era, pág 269).

Fabrício, um jovem cristão, trabalhava numa empresa de informática. Por sua conduta ética, tinha boa reputação no ambiente de trabalho. Certo dia, ele recebeu uma ligação telefônica comunicando que sua mãe havia se sentido mal e estava hospitalizada. Depois de alguns dias, veio o diagnóstico: a mãe dele tinha um tumor maligno em estado bem avançado. Iniciava-se um longo período de tristeza e dor para aquele jovem!
Na empresa, as chamadas telefônicas eram um tormento para ele, pois sua estrutura emocional estava abalada. Por fim, em uma das visitas ao hospital, o médico informou à família que o caso era extremo e que a morte era praticamente inevitável. Depois de muito sofrimento, a mãe de Fabrício faleceu.

Pela primeira vez, ele enfrentava a dor e tristeza causadas pela morte de um ente que lhe era tão querido. Na cerimônia fúnebre, algumas perguntas lhe vieram à mente: O que é a morte? Por que temos que morrer? Isso terá fim algum dia? Enquanto isso, o oficiante procurava confortar os enlutados com a esperança da Ressurreição.
A história de Fabrício reflete o drama de milhões de seres humanos. O apóstolo Paulo diz: “Irmãos, não queremos, porém, irmãos, que vocês sejam ignorantes acerca dos que já dormem, para que não se entristeçam como os demais, que não têm esperança. (1ªTessalonicenses 4:13).

Desde o dia em que nossos primeiros pais ouviram a sentença: “até que tornes a terra, pois dela foste formado; porque tu és pó e ao pó tornarás” (Gênesis 3:19), a humanidade tem convivido com este drama cuja contagem regressiva começa no instante em que o ser humano nasce. O apóstolo Paulo afirmou: “Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram”. (Romanos 5:12)

“Daquele tempo em diante, o gênero humano seria afligido pelas tentações de Satanás. Uma vida de contínua labuta e ansiedade foi designada a Adão, em lugar do alegre e feliz labor que tivera até então. Estariam sujeitos ao desapontamento, pesares,  dor, e finalmente à morte, Foram feitos do pó da terra,e ao pó deveriam voltar”. (História da Redenção, pág. 40).

Primeira Parte

Aspectos Linguísticos – O relato da criação do homem é fundamental para nossa compreensão do significado da morte. A Bíblia diz: “E formou o SENHOR Deus o homem do pó da terra, e soprou em suas narinas o fôlego da vida; e o homem passou a ser alma vivente. (Gênesis 2:7). Nesse verso, a expressão hebraica empregada para alma vivente é nephesh hayyáh, que também é aplicada aos demais seres viventes (Confira Gênesis 1:20, 24; 2:19; 9:10, 12, 15).

O substantivo nephesh vem do verbo náphash, que significa respirar, tomar alento, restaurar-se (Ver Dicionário Vine, pág 35). Basicamente, nephesh significa um ser vivente. Em se tratando do homem, o termo se aplica a toda a sua personalidade, com suas características e atribuições (Confira Levitico 17:10; 20:6; 22;6; 23:29; 24:17; Ezequiel 18:4).

Hans Wolff afirma: “O homem não tem nephesh, mas é nephesh e vive como nephesh” (Antropologia do Antigo Testamento, pág 22).
Quando Deus disse: “no dia em que dela comeres certamente morrerás” (Gênesis 2:17), Ele falou para o homem como um todo, e não para duas entidades separadas.
A partir de então, a concepção Bíblica de homem corresponde a uma unidade indissolúvel. A isso chamamos de concepção holística do homem.

Ela aponta para um ser ou alma que respira e que, portanto tem vida. Assim não há meio termo: ou o indivíduo está vivo ou está morto. Dr. Samuele Bacchiocchi afirma: “O ponto de vista holístico da natureza humana tornou possível aos autores bíblicos ver o corpo e a alma como expressões do mesmo organismo” (Imortalidade ou Ressurreição?, pág 74).

Na criação, o homem se tornou um ser vivente mo momento em que Deus lhe soprou nas narinas o fôlego da vida.

Quando a Bíblia descreve a morte, ela o faz mencionando o processo inverso, ou seja, o fôlego de vida se ausenta do corpo (Confira Gênesis 3:19; 34:14, 15; SL 104:29; 146:4; Eclesiástes 12:7). Antes de receber o fôlego de vida, Adão era apenas um corpo inerte, destituído de significado. O corpo dele, inconsciente, já pressupõe o estado do homem na morte. Sem o fôlego de vida o homem simplesmente não existe

Aguardem a continuação do tema - Vox Desertum - 20/11/2011.